Após encerrar o primeiro trimestre de 2025 (1T25) com queda de 20% no lucro líquido (R$ 7,37 bilhões), devido à deterioração da carteira de crédito ligada ao agronegócio, o Banco Safra aponta que o Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar o pior resultado entre os quatro maiores bancos no segundo trimestre de 2025 (2T25).
No entanto, às 16h34 (horário de Brasília), os papéis do BB avançavam 1,45%, cotados a R$ 20,98.
Segundo os analistas, o lucro líquido esperado para o período é de R$ 4,64 bilhões, representando uma queda de 51,1% em relação ao mesmo trimestre de 2024, quando o valor ajustado foi de R$ 9,502 bilhões.
BBAS3: Motivo da queda
Dessa vez, o principal impacto deverá vir dos empréstimos corporativos. “Acreditamos que o mercado está focando principalmente no risco do agronegócio, dado o recente agravamento evidenciado pelos dados do Banco Central. Ainda assim, pode estar negligenciando uma ameaça bastante relevante neste trimestre: o crédito corporativo”, escreveram os analistas em relatório.
Para eles, o mercado está concentrado na alta da inadimplência rural, especialmente após o crescimento no número de produtores em recuperação judicial. “O crédito corporativo já era um ponto de atenção, mas destacamos o novo índice de inadimplência acima de 30 dias, que avançou de forma relevante no primeiro trimestre”, pontuam.
Com o novo modelo de perda de crédito esperada (ECL, sigla em inglês), a piora na inadimplência de curto prazo elevou o nível de provisões, devido ao critério de “dias em atraso” que força a migração dos ativos para o Estágio 2 (30–90 dias) ou Estágio 3 (mais de 90 dias).
A mudança foi intensificada pela aplicação da Resolução nº 4.966 do Banco Central (BC), em vigor desde o início do ano, que incluiu critérios mais rígidos para a classificação de risco de crédito. Isso forçou o BB a aumentar suas provisões contra calotes.
“Notamos que o banco provisionou apenas 40% da formação de inadimplência no primeiro trimestre, o que pode indicar que esses créditos já estavam nos Estágios 2 ou 3, de maior risco”, apontam.
Contudo, o Safra também destaca alguns fatores que podem mitigar o impacto, como amortizações, modelos de compartilhamento de perdas com o governo, garantias adicionais e o curing (recuperação de crédito), o que ajudaria a reduzir as perdas de crédito esperadas (ECLs) e evitaria que o BBAS3 tenha de provisionar 100% da nova formação de inadimplência.
Futuro do BB
O Safra avalia que, para o 2T25, as expectativas já baixas podem ainda ser frustadas. O banco projeta lucro líquido de R$ 4,6 bilhões, queda de 50% ante o mesmo período de 2024, e 10% abaixo da média projetada pelo mercado.
Além disso, espera-se uma margem financeira líquida (NII) estável, em R$ 24 bilhões, e a formação de R$ 15,7 bilhões em créditos inadimplentes (NPLs), sendo R$ 5,3 bilhões desse total no segmento corporativo, com alta de 70 pontos-base na inadimplência acima de 90 dias.
O resultado operacional do Banco do Brasil (BBAS3) no segundo trimestre será divulgado no dia 13 de agosto.






