A Operação Compliance Zero registrou mais um encerramento nesta quarta-feira (18), após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A.. A instituição ganhou notoriedade por ofertar produtos com rentabilidade de até 110% do CDI.
A decisão ocorre na sequência das liquidações do Banco Master e do Will Bank, ampliando a atuação do regulador sobre instituições com fragilidades financeiras e indícios de descumprimento regulatório
O Banco Pleno mantinha ligação com Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, ambos investigados no mesmo inquérito. Lima chegou a ser preso no mesmo dia da detenção de Vorcaro.
Liquidação extrajudicial
Em comunicado oficial, o Banco Central informou que a liquidação foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações.”
Além disso, a medida também atinge a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), integrante do conglomerado prudencial Pleno. Com isso, houve a indisponibilidade dos bens dos controladores e administradores, conforme previsto na legislação aplicável a processos de liquidação.
Embora considerado um banco de pequeno porte, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN), a liquidação do Banco Pleno amplia a pressão sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo dados divulgados, o encerramento da instituição se soma aos R$ 40,6 bilhões relacionados aos investidores do Banco Master. Além dos R$ 6,3 bilhões vinculados aos clientes do Will Bank.
Com isso, o montante total de recursos potencialmente cobertos pelo FGC alcança R$ 51,8 bilhões, frente a um patrimônio estimado em cerca de R$ 160 bilhões.
Banco Pleno
Anteriormente conhecido como Banco Voiter, o Banco Pleno surgiu em 2019 com a proposta de atuar de forma moderna e consultiva. Após a liquidação do Banco Master a instituição passou a liderar o ranking de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) mais rentáveis do país em janeiro.
O levantamento da Quantum Finance apontou que o banco ofertava CDBs com rentabilidade de até 108% do CDI, com vencimento de apenas três meses. Esse é patamar considerado elevado para o mercado, especialmente diante do perfil de risco.
Ademais, estimativas indicam que o Pleno possuía cerca de 160 mil credores elegíveis à garantia do FGC, totalizando aproximadamente R$ 4,9 bilhões em valores protegidos.
Por fim, as liquidações reforçam o alerta para investidores de renda fixa quanto à relação entre rentabilidade e risco. Principalmente em produtos bancários que oferecem retornos muito acima da média do mercado.
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