As ações da Americanas (AMER3) registraram forte alta nesta quarta-feira (26), impulsionadas pelo pedido de saída do processo de recuperação judicial (RJ) e pela repercussão dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25).
No fechamento do pregão, os papéis avançaram 13,40%, cotados a R$ 5,84. Na máxima intradia, chegaram a subir 21,9%, atingindo R$ 6,11.
Após três anos do escândalo envolvendo uma fraude contábil estimada em cerca de R$ 25 bilhões, a varejista protocolou o pedido de encerramento da recuperação judicial junto ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a companhia, todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial, com vencimento de até dois anos após a homologação, foram cumpridas, conforme a Lei nº 11.101/2005.
“Os administradores da Companhia adotarão as medidas necessárias para o encerramento da recuperação judicial do Grupo Americanas”, informou a empresa em comunicado.
Além disso, o pedido também inclui outras empresas do grupo, como B2W Digital Lux S.À.R.L, JSM Global S.À.R.L e ST Importações Ltda.

Crise financeira da varejista
A crise da Americanas teve início em 11 de janeiro de 2023, quando a companhia revelou inconsistências contábeis que resultaram em um rombo estimado em R$ 25,2 bilhões.
Inicialmente, as inconsistências foram estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. Poucos dias depois, a empresa oficializou o pedido de recuperação judicial, marcando o início de sua fase mais crítica.
Ademais, o episódio levou à saída imediata da antiga diretoria, à forte queda das ações na Bolsa e à reestruturação do grupo.
Assim, como parte das medidas para reorganização financeira, a companhia vendeu a Uni.Co, dona das marcas Imaginarium e Puket, para a BandUP!, pelo valor de R$ 152,9 milhões, no âmbito do processo competitivo judicial.
Próximos passos da Americanas
De acordo com o CEO da companhia, Fernando Soares, a efetivação da saída da recuperação judicial ainda depende da aprovação da Justiça, mas representa um marco importante para a empresa.
De acordo com o executivo, três pilares sustentaram o pedido neste momento:
- o cumprimento das obrigações previstas no plano;
- a execução do plano de transformação operacional e estratégica;
- e a melhora nos indicadores financeiros.
Além disso, Soares destacou que a companhia encerrou 2025 com caixa superior à dívida, além de resultado líquido positivo e um resultado operacional próximo de R$ 770 milhões.
Para o ciclo estratégico de 2026 a 2029, a empresa reforça que as lojas físicas permanecem como o core do negócio, atuando como principal ponto de conexão com o consumidor.
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