O grupo MRV&Co (MRVE3) lidera a ponta negativa do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), nesta segunda-feira (09), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25).
No período, o conglomerado responsável pelas marcas MRV, Resia, Urba e Luggo conseguiu reverter o prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior.
No entanto, apesar do lucro líquido ajustado de R$ 116 milhões entre outubro e dezembro de 2025, frente ao prejuízo de R$ 153 milhões no 4T24, o grupo encerrou o ano com prejuízo líquido ajustado de R$ 867 milhões, superior à perda de R$ 128 milhões registrada em 2024.
Diante disso, por volta das 16h55 (horário de Brasília), os papéis MRVE3 operavam em queda de 7,53%, cotados a R$ 8,60.
Por outro lado, a companhia apresentou receita líquida de R$ 3,04 bilhões no trimestre, acima da estimativa média de analistas de R$ 2,85 bilhões, segundo dados da LSEG.

Resia tem impacto no resultado
O desempenho consolidado foi pressionado principalmente pela operação norte-americana Resia, subsidiária da MRV&Co, que registrou resultado negativo de R$ 1,4 bilhão em 2025.
De acordo com o diretor financeiro da companhia, Ricardo Paixão, o grupo se comprometeu a vender US$ 800 milhões em ativos nos Estados Unidos até o final deste ano como parte do processo de desalavancagem financeira. Até o momento, foram alienados US$ 167 milhões.
“Em 2025, houve muito pouca venda de ativo da Resia. Foi um ano de redução de despesas e de ocupar aqueles prédios que estavam prontos para, sim, agora ao longo de 2026, vender esses ativos, monetizar esses ativos e desalavancar a companhia”, explicou Paixão.
Segundo o executivo, a tendência é que a participação da Resia no balanço da companhia seja reduzida no longo prazo. “Vai chegar em um ponto que ela vai ficar muito pouco relevante dentro da MRV”, disse ele.
Performance da MRV Incorporação
Em relação à MRV Incorporação, principal divisão de negócios do grupo, o lucro líquido foi de R$ 268 milhões no 4T25, o que representa crescimento de 243% em comparação aos R$ 48 milhões registrados no mesmo período de 2024.
No acumulado do ano, o lucro líquido atingiu R$ 611 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 132 milhões em 2023 e superando o resultado positivo de R$ 274 milhões observado em 2024.
Segundo a companhia, a evolução da receita e da margem bruta, combinada com despesas operacionais estáveis, contribuiu para a melhora gradual dos resultados.
“A gente conseguiu reposicionar toda a questão de rolagem de dívida e de capitação, tanto da MRV Incorporação quanto da MRV Brasil no ano passado. Começamos 2026 sem necessidade nenhuma de fazer novas captações de dívida pra pagar a dívida corporativa nos próximos dois anos. O que eu tiver de vencimento nos próximos dois anos será pago aqui com a geração de caixa do período”, afirmou Ricardo Paixão.
Entre os demais negócios do conglomerado, a Urba contribuiu com lucro líquido de R$ 19,5 milhões em 2025, enquanto a Luggo, voltada para locação residencial, registrou prejuízo de R$ 47,4 milhões no período.
Projeções para a MRV&Co (MRVE3)
No documento, a MRV&Co também informou que decidiu não divulgar projeções financeiras e operacionais para 2026, incluindo o guidance para o período.
“A companhia reforça seu compromisso com a transparência e permanece à disposição dos acionistas e do mercado para eventuais esclarecimentos por meio de seus canais oficiais de relacionamento com investidores”, informou a empresa.
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