Embora ainda seja apenas o segundo mês de 2026, fevereiro já pode ser considerado um dos piores períodos do ano para o mercado de criptomoedas. Em apenas cinco dias, o Bitcoin (BTC) acumula queda de 19% e já recua mais de 27% desde o início de 2026.
Nesta quinta-feira (05), por volta das 17h00 (horário de Brasília), a principal criptomoeda do mercado operava em baixa de 11,19%, cotada a US$ 65.245, atingindo o menor nível desde outubro de 2024. Além disso, o BTC perdeu diversos suportes técnicos relevantes ao longo do movimento recente.
O que leva a queda?
De acordo com o head de research do Mercado Bitcoin (MB), Rony Szuster, dois fatores principais seguem pressionando o desempenho do Bitcoin. “Entre os riscos iminentes, o principal segue sendo a combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos. A escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã elevou o grau de incerteza nos mercados, pressionando ativos de risco de forma generalizada”, afirmou.
Além disso, com a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, o dólar tende a se valorizar, enquanto a liquidez direcionada a ativos mais voláteis, como o Bitcoin, tende a diminuir, segundo o especialista.
Perspectiva para os juros nos EUA
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), movimento que dividiu opiniões no mercado financeiro.
Anteriormente, Warsh já se declarou favorável a juros mais baixos. No entanto, reduzir as taxas em um cenário de inflação ainda elevada e mercado de trabalho resiliente é visto com cautela pelos investidores.
O economista e sócio da Dom Investimentos, Thiago Calestine, avalia que a reação inicial negativa é natural. Segundo ele, “o mercado torce o nariz no curto prazo, mas a médio e longo prazo a escolha tende a ser positiva.”
Para Calestine, apesar de Warsh ser percebido como defensor de juros mais baixos, ele não representa um afrouxamento monetário agressivo, diferentemente de outros nomes cogitados anteriormente por Trump.
Direção do Bitcoin (BTC)
Após perder o suporte psicológico dos US$ 70 mil, o Bitcoin passou a apresentar maior probabilidade de novas quedas no curto prazo, segundo Szuster.
Diante desse cenário, dois níveis técnicos passam a ganhar relevância. O primeiro está na região dos US$ 69 mil, topo histórico de 2021 e importante zona de lateralização observada em maio de 2024. Em seguida, há o suporte em torno dos US$ 68 mil, outro topo relevante registrado em 2021.
Além disso, o mercado observa a faixa próxima aos US$ 61 mil, correspondente ao fundo de maio de 2024. Onde o preço permaneceu lateralizado entre fevereiro e outubro.
Para o analista de investimentos e cofundador da Coin Bureau, Nic Puckrin, o movimento atual indica um cenário mais profundo de ajuste. “Está claro que o mercado de criptomoedas está agora em modo de capitulação total […] Se os ciclos anteriores servirem de referência, isso não é mais uma correção de curto prazo, mas sim uma transição da distribuição para a reinicialização — e isso normalmente leva meses, não semanas“, afirmou.
A recente queda das criptomoedas também impactou ações de empresas com exposição relevante ao Bitcoin e a outros ativos digitais, ampliando a percepção de que a turbulência começa a se espalhar para além do mercado cripto.
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