O Ibovespa (Ibov), principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou setembro com alta de 3,4%, alcançando pela primeira vez a marca de 147 mil pontos. Ao longo do mês, novas máximas históricas foram registradas sucessivamente, e a expectativa da XP Investimentos é de que o indicador mantenha o desempenho positivo.
Segundo avaliação da corretora, fatores externos tiveram papel central nesse movimento. Em setembro, o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) retomou o ciclo de cortes de juros, impulsionando os mercados globais, incluindo o Brasil.
“Embora o debate com investidores siga concentrado no noticiário doméstico (cortes de juros à frente e o “trade eleitoral”), vemos os principais drivers da recente alta como majoritariamente globais”, apontou os estrategistas Fernando Ferreira, Felipe Veiga, Raphael Figueiredo e Lucas Rosa.
A valorização no país é semelhante ao de outros desde janeiro deste ano. Em dólares, o Ibovespa acumula alta de 41% em 2025, contra ganhos de 44% no México, 37% no Chile e 52% na Colômbia.
Ibovespa: Projeções da XP
Diante do potencial de valorização, a XP revisou para cima sua projeção para o índice, de 150 mil pontos até dezembro para 170 mil pontos no fim de 2026, o que implica um avanço adicional de mais de 16% nos próximos 15 meses.
Eles destacam que, “nos últimos anos, com a Selic voltando para 15%, os investidores locais migraram agressivamente da renda variável para renda fixa e crédito. Hoje, os brasileiros detêm mais de R$ 10 trilhões em ativos financeiros, mas apenas 6% alocados em ações contra 75% em renda fixa. À medida que os juros comecem a cair, vemos espaço para uma rotação relevante de volta para ações.”
Nesse cenário, o potencial de retorno estimado é de R$ 300 bilhões a R$ 600 bilhões, o equivalente a 14% a 26% do free float, ações disponíveis para negociação no mercado.
Ademais, a corretora estima que o Banco Central deve começar o ciclo de corte na taxa básica de juros (Selic) em janeiro de 2026. “Desde 2017 (início da série disponível), a correlação entre fluxos domésticos para ações e a Selic tem sido fortemente negativo, indicando que os ciclos de afrouxamento coincidiram com entradas líquidas de investidores locais”, afirmaram.
“Observando os últimos 20 anos, as alocações em fundos de ações aumentaram em 8 dos 10 períodos de queda da Selic, mostrando que a demanda doméstica por ações é altamente sensível ao nível de juros”, complementaram os especialistas.






