O Ibovespa (Ibov), principal índice da Bolsa brasileira (B3), opera em alta nesta terça-feira (23), renovando sua máxima histórica intradia após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 80ª Assembleia Geral da ONU. O movimento ganhou força com a confirmação de um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para uma reunião na próxima semana.
Às 14h46 (horário de Brasília), o índice subia 1,16%, aos 146.793 pontos, próximo da máxima registrada mais cedo, de 146.886,44 pontos. No mesmo horário, o dólar recuava 0,98% frente ao real, cotado a R$ 5,2820.
Lula e Trump na ONU
Na Assembleia, Trump relatou ter tido uma interação amistosa com Lula, o que elevou as expectativas de aproximação entre os dois países em meio a recentes tensões diplomáticas. O governo brasileiro confirmou a informação, animando ainda mais o mercado.
“Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Nós nos vimos, eu o vi, ele me viu, e nós nos abraçamos”, disse o líder norte-americano. “Ele pareceu um homem muito agradável. Na verdade, ele gostou de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com quem eu gosto.”
O encontro ocorreu quando Lula deixou a plenária, após seu discurso, e seguiu para a sala reservada dos líderes mundiais. Trump, que discursaria em seguida, tomou a iniciativa de cumprimentá-lo.
Apesar do tom positivo, o líder norte-americano havia feito críticas ao Brasil minutos antes, citando tarifas impostas por “censura” e “corrupção judiciária”. Ainda assim, ponderou que havia “gostado de Lula”, suavizando as declarações.
Discurso do presidente
No plenário da ONU, Lula reafirmou a soberania brasileira como inegociável e criticou medidas unilaterais impostas ao país, além de ataques ao Poder Judiciário brasileiro, como as sanções arbitrárias que, segundo ele, tem se tornando constante, ameaçando os ideais que inspiraram a criação da ONU.
“A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, afirmou o presidente.
O presidente também destacou que, pela primeira vez em 525 anos de história do Brasil, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito.
“Foi investigado, indiciado e julgado. Responsabilizado por seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas”, ressaltou Lula.
Vale lembrar que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de insatisfação por Donald Trump.






