O mercado financeiro tem o foco voltado para decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil nesta Super Quarta (17), nome dado ao dia em que a definição de juros de ambos os países ocorre na mesma quarta-feira, o que fez com que o Ibovespa (Ibov) fechasse no maior patamar de sua história.
No fechamento, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) encerrou em alta de 1,06%, com 145.593,63 pontos. Logo após a resposta do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) sobre o que a maioria dos investidores já esperava, o primeiro corte de juros desde dezembro de 2024.
O Fed concluiu que os indicadores nos Estados Unidos, principalmente a inflação, estão mais controlados, reduzindo a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual (p.p.), para a faixa de 4% a 4,25% ao ano.
O único voto contrário ao corte foi do presidente do Conselho de Assessores Econômicos dos EUA, Stephen Miran, que optou por uma redução de 0,5 p.p., ficando entre 3,75% e 4% ao ano.
Fed projeta mais cortes em 2025
Para 2025, o Fed também divulgou a estimativa de mais dois cortes até o final do ano, expectativa criada pelos seus líderes. As reduções ocorreriam nas duas reuniões restantes, uma no fim de outubro e outra na primeira quinzena de dezembro.
Entre os apoiadores dos novos cortes está o presidente do país, Donald Trump, que vinha pressionando os integrantes do BC norte-americano há meses, chegando a tentar a demissão da diretora da instituição, Lisa Cook.
A proposta chegou à Justiça, que optou por suspender a decisão. No entanto, o episódio gerou preocupação no mercado financeiro, sendo interpretado como um ataque de Trump à independência do Fed.
Super Quarta: Copom anuncia decisão
Fechando a Super Quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a decisão unânime de manter a taxa básica de juros (Selic) estável, atualmente em 15% ao ano. “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”, afirmam.
Assim como o resultado do corte do Fed, os investidores já esperavam pelo cenário. As opções de Copom indicavam que esse movimento valia R$ 97, quanto maior o valor, maior a probabilidade atribuída à porcentagem.
Além disso, os diretores do Banco Central já haviam confirmado, em julho, a interrupção do aperto monetário para examinar os impactos acumulados dos ajustes já realizados, mantendo a taxa em um “patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
“O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil” disse o Copom, afirmando que “seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente”.
Em 2025, a Selic registrou alta a 13,25% em janeiro, 14,25% em março e 14,75% em maio, chegando à faixa atual de 15% na reunião de junho.






