O principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), o Ibovespa (Ibov), opera em forte queda nesta terça-feira (19), recuando mais de 3 mil pontos no dia. O desempenho negativo reflete, principalmente, a pressão sobre os bancos e o aumento das tensões políticas e comerciais.
Por volta das 15h30 (horário de Brasília), o Ibov caía 2,26%, aos 134.212 pontos. O temor do mercado está relacionado a um possível novo embate político e às tensões comerciais entre Estados Unidos e Brasil, fatores que ampliam a aversão ao risco.
Na segunda-feira (18), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que leis e decisões estrangeiras não podem impactar cidadãos, empresas ou bens brasileiros sobre atos realizados no país, incluindo imposições, restrições de direitos ou coerções de origem estrangeira.
O pedido para a medida foi feito pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), com objetivo de impedir que municípios brasileiros acionem a Justiça de outros países por desastres de mineração, como os ocorridos em Mariana e Brumadinho.
Ainda que não citado explicitamente, a decisão também afeta sanções aplicadas pelo governo norte-americano ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Pressão sobre os bancos
Os bancos brasileiros estão entre os mais impactados, já que o setor é altamente exposto ao risco derivado das tensões. Com a influência da lei Magnitsky e a atuação do STF, investidores temem que a intensificação da crise prejudique a economia.
No horário da matéria, as ações do Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) registravam quedas de 6,07% (R$ 19,79), 3,77% (R$ 36,04) e 3,49% (R$ 15,78), respectivamente.
“É difícil precificar as consequências se os bancos brasileiros forem cortados do sistema financeiro internacional. São bancos que operam internacionalmente e qualquer problema nessa linha seria muito ruim pro Brasil”, afirma o estrategista da Potenza Capital, Bruno Takeo.
O Banco do Brasil afirmou, nesta terça-feira, que está preparado para lidar com situações envolvendo regulamentações globais, destacando que atua “em plena conformidade” à legislação brasileira, e às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais do sistema financeiro.
“O Banco sempre acompanha esses assuntos com atenção e conta com assessoramento jurídico especializado para garantir atuação alinhada às melhores práticas de governança, integridade e segurança financeira”, complementou a instituição.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue indefinido no curto prazo, com resistências em 138.500, 139.400 e 141.600 pontos. Do lado da baixa, o índice encontra suportes em 135.400, 134.400 e na região dos 131.500 pontos, onde também está localizada a média móvel de 200 períodos.






