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Bolsa brasileira: JPMorgan vê resiliência da econômia em relação as tarifas dos EUA; banco recomenda desaceleração da atividade

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O Banco Central (BC) necessita que as atividades econômicas da bolsa brasileira desacelerem nos próximos meses para que seja possível iniciar a flexibilização da política monetária. Porém, com a tarifa de 50% para produtos brasileiros, aplicada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a projeção da desaceleração é incerta, avalia o JP Morgan.

Com a implementação, a tarifa efetiva deverá aumentar quase 30 pontos percentuais (p.p.), causando efeitos no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 0,6% e 0,9%.

Porém, em entrevista ao E-Investidor, a estrategista para mercados globais do JPMorgan Asset Management, Meera Pandit, apontou que os ativos brasileiros apresentam resiliência às taxas dos EUA. O banco também mantém suas estimativas inalteradas, pois não acredita em aplicações de taxas tão altas como essa.

Apesar disso, os economistas do JP Morgan, que observaram os dados de atividade já divulgados durante esse período, destacam que os resultados fortalecem a visão de desaceleração prevista.

“Embora ainda exista a resiliência, precisamos estar cientes de que pode haver alguma volatilidade em torno dessas ações e nesse mercado, dada a incerteza das tarifas”, aponta Pandit.

Atividades da bolsa brasileira no 1T25

A Bolsa brasileira registrou um forte fluxo de capital estrangeiro no primeiro trimestre de 2025 (1T25), com alta de 15,44% no Ibovespa (Ibov). Para Pandit, a valorização é decorrente do enfraquecimento do dólar no período e de aportes maiores nos mercados emergentes, que se tornaram uma espécie de refúgio, já que não estavam no foco das tarifas de Trump durante a primeira metade do ano.

Ela explica que esse movimento na bolsa pode se manter até o segundo trimestre de 2025 (2T25), por conta da baixa exposição da economia brasileira ao mercado norte-americano. Contudo, ainda existem alguns riscos para os ativos do país.

“Temos o Brasil como um exemplo, com apenas 2% do Produto Interno Bruto voltado para exportações para os EUA. Muitos outros países também são razoavelmente diversificados em seus destinos de exportação. Então, eles têm sido notavelmente perseverantes durante todo esse período. No entanto, há alguns riscos sobre a tese”, explica a estrategista.

Após um cenário fraco na produção industrial, o desempenho das vendas no varejo também seguiram o ritmo, caindo quase 2% em abril e subindo apenas 0,3% em maio, com a produção de serviços crescendo somente 0,1% no mês.

“Os dados econômicos mais recentes se alinham com os contornos gerais da nossa projeção de crescimento mais lento ao longo do primeiro semestre do ano, abrindo caminho para um segundo semestre de 2025 mais fraco”, escreveram os especialistas do banco, Cassiana Fernandez, Mirella Sampaio e Vinicius Moreira.

As quedas se perpetuaram em outros setores da bolsa, como o atacado, por exemplo, que registrou recuo de 2,7% em junho, após cair 1,4% em maio, com os produtos agrícolas despencando 6% e os produtos manufaturados caindo 0,5% cumulativamente no ano.

Ademais, os registros do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de junho indicam uma desaceleração das elevadas pressões inflacionárias subjacentes, com o núcleo do IPC com elevação de 4,4%, levando a média trimestral para 4,3% em três meses, o menor nível desde junho do ano passado.

“Isso reforça nossa visão de que o pior da inflação já passou e, embora deva permanecer em um nível relativamente alto por um tempo, o processo de desinflação já começou”, afirmam.

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