Em entrevista nesta quarta-feira (16), o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que avalia como principal motivação da tarifa de 50% para produtos brasileiros, imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o “medo” do avanço do Brasil em legislações voltadas à regulação das “big techs”.
Segundo ele, o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro é uma questão “menor” para Trump, “Nós suspeitamos que isso (processo de Bolsonaro) seja algo absolutamente menor para ele”. Messias defende que as big techs são hoje a grande arma geopolítica dos EUA.
“Eu tenho uma avaliação muito própria de que o grande motivador dessa reação do presidente Trump tem nome e sobrenome, para mim são as big techs… Hoje a grande arma de guerra que os Estados Unidos têm para impor suas vontades a outros países é esse instrumento das big techs. As grandes big techs hoje são empresas com capital e controle norte-americanos e querem impor a sua agenda aos outros países”, afirmou.
Na carta divulgada na semana passada nas redes socias, o lider norte-americano citou o processo judicial contra Bolsonaro e medidas judiciais que avalia como injustas em relação às big techs como razões para sua decisão.
O momento da publicação, no entanto, causou estranheza, já que ocorreu logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliar o rol de obrigações das plataformas no Brasil quanto à remoção de conteúdos considerados ilícitos.
“As grandes big techs hoje são empresas de capital aberto com controle norte-americano e querem impor sua agenda aos outros países. Fizeram isso com a União Europeia, que acabou recuando na taxação, mas parece que se arrependeu agora, e querem fazer isso no Brasil”, reforçou o ministro.
“Eles temem que o Brasil avance na sua defesa democrática e estabeleça marcos civilizatórios para limitar a ação dessas big techs. Aqui conosco não tem vez. Se quiser sentar conosco, é olho no olho. Não vai ter interferência externa para achar que big tech vai mandar aqui”, complementou.
Trump e o Déficit comercial
No documento divulgado, Trump também alegou que os EUA têm um déficit comercial com o Brasil. No entanto, dados oficias do governo norte-americano mostram que, somente em 2024, os EUA registraram um superávit de US$ 7,4 bilhões na balança comercial de bens com o Brasil.
Para Messias, isso ocorreu pois Trump acreditava que seu argumento para a imposição de tarifas ao Brasil “é frágil, não tem sustentação fática”.
Resolução das tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado que buscará de todas as formas negociar para evitar a concretização das tarifas, delegando a condução do processo ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Segundo Lula, caso não haja acordo, o país poderá recorrer à reciprocidade para responder à taxação norte-americana. Alckmin já tem se reunido com empresários e representantes do setor produtivo para tratar do tema.






