O Brasil foi o país mais afetado com a nova onda de tarifas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A partir de 1º de agosto, caso não haja acordo ou recuo entre os dois governos, os produtos brasileiros receberão uma alíquota de importação de 50%, a maior entre os 22 países anunciados até o momento.
Segundo a carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nas redes sociais do líder norte-americano, a medida é uma resposta a uma “relação comercial muito injusta” com o maior país sul-americano, além de ser uma forma de retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de orquestrar a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
No entanto, apesar de Trump apontar déficits comerciais “insustentáveis” nas negociações entre as nações, somente em 2024 os EUA atingiram superávit de US$ 7,4 bilhões na balança comercial de bens com o Brasil, de acordo com dados oficiais do governo norte-americano.
Lula respondeu em nota oficial nesta quarta-feira (9) que qualquer medida unilateral de aumento de tarifas contra o país será respondida com reciprocidade, e ainda destacou que o Brasil é um “país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.
Lula analisa próximas decisões
Nesta quinta-feira (10), o presidente brasileiro se reúne com os ministros do país para uma reunião no Palácio da Alvorada com o objetivo de discutir a resposta do Brasil para as medidas de Trump.
Ainda em resposta ao presidente norte-americano, o governo optou pela criação de um grupo de estudos para definir qual será a reação a ser adotada diante da imposição das tarifas, segundo informações da Casa Civil.
Duas fontes do Palácio do Planalto afirmam que o governo brasileiro segue organizando a reação que vai adotar com foco em não agir de forma imediata.
Em conversa com a Reuters uma das fontes indicou que a resposta direta dada na quarta-feira pelo presidente levantou a possibilidade de usar a Lei da Reciprocidade. Porém, no momento é analisada a via diplomática para verificar a efetividade e abrangência da medida anunciada.
O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, uma das opções em estudo é o fim das patentes de medicamentos norte-americanos, assim como outras ações na área de propriedade intelectual, como filmes e livros.
A CNN Brasil também confirmou a informação de medidas na área de propriedade intelectual, assim como a taxação de remessas de dividendos por multinacionais norte-americanas instaladas no Brasil. A emissora informa que o governo avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Haddad comenta sobre as tarifas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (10) que a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros é “insustentável tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista político”. Para Haddad, não tem racionalidade econômica nem aderência à realidade na decisão, uma vez que os Estados Unidos é superavitário em relação ao comércio com o Brasil.
Ele ainda afirma que a alíquota de importação cobrada pelos brasileiros aos produtos norte-americanos é efetivamente baixa, em média de 2,7%. “Eu não acredito que essa situação vai se manter. Nosso Itamaraty sabe negociar”, disse. “Continuamos abertos a parcerias […] Temos muitas áreas de interesse em comum”, complementou.






