O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta segunda-feira (19) a Nova Política de Educação a Distância (EAD), impedindo a oferta de cursos de ensino não presenciais nas áreas de direito, medicina, odontologia, enfermagem, psicologia e fisioterapia. Com isso, não somente o setor educacional será impactado com o fim do EAD, mas também o segmento de fundos imobiliários (FIIs) com exposição a imóveis educacionais.
A volta para sala de aula presencial reforçará a demanda por espaços físicos, aumentando a valorização dos ativos educacionais, como o FAED11, FCFL11 e FTRE11. Entretanto, os efeitos podem ser limitados, não imediato e ainda depender de outros motivos.
Segundo o MEC, além dos cursos citados outros segmentos da saúde e licenciatura também não poderão ser ofertados por EAD. Porém, poderão aderir o formato semipresencial, modelo já oferecido por empresas como Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3).
O gestor do RBVA11 — com maior parte dos ativos locado para instituições —, Alexandre Rodrigues, explica que o receio dos gestores e investidores sobre o avanço do EAD tornar os imóveis voltados à educação desatualizados, será reduzido com as novas mudanças.
“No entanto, esses fundos dependem de a locatária ter a necessidade de expandir sua presença física, aumentando a quantidade de ativos — e que essa expansão ocorra por meio de Fundos Imobiliários”, afirma Victor Sartori, analista da Levante Inside Corp.
Quais fundos imobiliários se beneficiaram com o fim do EAD?
Com a nova política e o formato semipresencial, com foco na saúde, é aguardado o aumento da demanda por estruturas físicas adaptadas, como laboratórios e clínicas, por exemplo. Ocorrendo uma valorização em ativos desta área, fortalecendo fundos imobiliários expostos ao segmento.
“Já em 2019, antes mesmo da pandemia, destacávamos a resiliência desses imóveis devido à baixa vulnerabilidade ao ensino à distância — Determinadas atividades não podem prescindir da vivência presencial, tanto pela necessidade de infraestrutura quanto pela própria dinâmica pedagógica”, afirma Rodrigues.
Segundo ele, a nova diretriz “só reforça a tese de que determinados modelos de ensino exigem espaços físicos preparados, o que valoriza os imóveis e a operação como um todo”.
Entretanto, o efeito não será imediato, o processo tem como estimado dois anos para conclusão da transferência de transição para adaptação gradual dos cursos, aponta o MEC, o que pode acabar atrasando a busca por esses espaços.
Às 17h (horário de Brasília), o COGN3 da Cogna e YDUQ3 do Yduqs, empresas voltadas para educação, tinham baixa de 2,11% (R$ 2,78) e 0,80% (R$ 14,85), respectivamente.






