Mesmo em um cenário da taxa básica de juros (Selic) em 14,75% ao ano, os fundos de infraestrutura (FI-Infra) continuam com os resultados mensais em um patamar positivo, sendo uma forte opção para investidores que buscam diversificação e retorno real acima da inflação.
Segundo o Head de Crédito Privado da Drys Capital, Ricardo Colin, os efeitos da alta da Selic variam dependendo do tipo de exposição de cada fundo, podendo ser os ligados a benchmarks (ponto de referência), como o IMA-B ou IMA-B5 — índice de mercado da ANBIMA —, ou aos certificados de depósitos interbancários (CDIs) que utilizam instrumentos derivativos para inserir o componente prefixado nos títulos de dívida incentivados.
Em caso dos tipos que operam com hedge, o percentual da taxa corresponde a pouco ou nenhum impacto no preço das cotas. Já sobre os fundos com mais exposição ao IMA-B5, a elevação pode gerar desempenho negativo a curto prazo, podendo ser compensado por outros fatores como “movimentos de alta da inflação corrente, queda nos prêmios de crédito ou por um posicionamento mais conservador da gestão, com redução da duration”, aponta Colin.
“A queda da Selic pode valorizar rapidamente os FI-Infra, que ainda oferecem IPCA+8% ou 9% ao ano, com isenção de IR e risco relativamente baixo. Entrar agora pode ser mais vantajoso do que esperar o ciclo virar”, afirma o CIO de infraestrutura da Pátria Investimentos, Marcelo Souza.
Um exemplo disso foi visto no primeiro trimestre de 2025 (1T25), enquanto o CDI rendia 2,1%, o IMA-B5 alcançava 3,1%, devido a alta acumulada de 2% do índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA). Fazendo com que o “IPCA+” dos ativos rendesse quase o mesmo que o CDI.
Devo manter a exposição aos FI-Infra?
Grande parcela dos FI-Infra aplicam o investimento em debêntures incentivadas de projetos ou empresas focadas em setores regulados e essenciais, como o segmento de energia, transporte e saneamento, por exemplo.
Para Collin, mesmo em uma Selic elevada, faz total sentido manter a exposição, ainda mais com títulos públicos ligados à inflação ofertando prêmios maiores, “Temos um estudo que mostra que quando a NTN-B com vencimento em 2035 está acima de IPCA +6,0% ao ano, o IMA-B5 superou o CDI em 93% das janelas de 12 meses seguintes. Quando essa taxa sobe para IPCA +7%, o índice superou o CDI em 95% das vezes”, afirma.
“O Drys Debêntures de Infraestrutura apresentou em março uma taxa implícita de retorno de IPCA +8,59% ao ano, com mais de 55% da carteira composta por ativos AAA. Já o nosso fundo fechado, o INFB11, está com taxa de IPCA +9,48% ao ano”, complementa.






