Após uma negociação que durou meses, a Paramount Skydance concluiu a compra da Warner Bros. Discovery, em uma operação avaliada em US$ 110 bilhões, considerada uma das maiores fusões da história do setor de mídia.
A conclusão ocorre após uma disputa com a Netflix, que, inicialmente, era a favorita para fechar o negócio. No entanto, nesta quarta-feira (21), o acionista da Warner Bros. Discovery, John Malone, afirmou que o governo Trump informou à Netflix que sua proposta de aquisição seria bloqueada.
“Eles estavam prestes a prosseguir e foram informados pela administração de que não tinham chance de obter aprovação regulatória nos EUA. Acho que isso foi o que os fez desistir”, declarou Malone durante o International Council Summit, do Paley Center for Media.

Paramount compra Warner Bros.
A operação envolve os estúdios e o serviço de streaming da Warner e ganhou novos desdobramentos após a Paramount elevar sua oferta por toda a companhia, em meio à disputa pela aquisição. A empresa garantiu a fusão ao oferecer US$ 31 por ação aos acionistas da WBD, além de garantias de financiamento.
Além disso, a Paramount teve que pagar um valor adicional para que a Netflix rescindisse o acordo anterior. Antes, a plataforma havia apresentado uma oferta de US$ 82,7 bilhões por ativos da Warner Bros. Discovery.
Dessa forma, a compra teve um custo adicional de US$ 2,8 bilhões, equivalente a 17% da proposta inicial, além de envolver a assunção de uma dívida de aproximadamente US$ 87 bilhões da Warner.
Agora, a Paramount avança na criação do conglomerado de mídia e entretenimento Skydance, resultante da fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery.
Com a nova estrutura, a companhia projeta gerar mais de US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre nos próximos anos. Apenas nesta semana, o proprietário e diretor-executivo da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, injetou um investimento de US$ 100 bilhões no conglomerado.
O investimento foi feito como parte de uma iniciativa mais ampla de captação de recursos lançada pela Skydance, conforme revelou a emissora de TV CNBC.
Trump e a negociação da Netflix
Em fevereiro, durante a tentativa de compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix, o co-CEO da empresa, Ted Sarandos, foi à Casa Branca para se reunir com autoridades. A reunião foi seguida pelo abandono da proposta no mesmo dia.
Segundo os termos das negociações com a WBD, a Netflix ainda tinha quatro dias para responder à última oferta da Paramount.
Anteriormente, Sarandos havia afirmado que Donald Trump foi “completamente neutro” em relação à transação e que o motivo da desistência da Netflix foi o fato de a WBD ter considerado a oferta da Paramount superior.
“Havia opiniões divergentes entre nós [sobre a desistência da Netflix] do lado da Warner Bros. Discovery”, destacou John Malone. “Teríamos visto, e gostaríamos de ter visto, um resultado diferente. Embora, para os acionistas, este resultado final tenha sido mais do que suficiente”, completou.
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