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Lula reforça soberania do Brasil e critica medidas do governo Trump na ONU

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Em discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU realizado nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a defesa da soberania brasileira e criticou medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos, mesmo sem citar diretamente o nome do presidente norte-americano, Donald Trump.

A declaração ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. Na véspera (21), Lula afirmou que o país não pretende aplicar a Lei da Reciprocidade enquanto houver diálogo com os norte-americanos.

Além das relações comerciais, o presidente também falou sobre o cenário eleitoral brasileiro e afirmou que Trump teria indicado a interlocutores que não pretende interferir nas eleições de 2026.

“Ele já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras. E é bom que ele tenha dito isso. É bom que ele aja assim. Esse é o papel que espero de um presidente”, disse Lula em entrevista à CNN Internacional.

Negociações entre Brasil e EUA

Durante a entrevista, Lula afirmou que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos antes de considerar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

“Nós estamos negociando, e de novo, enquanto ainda estamos na mesa de negociações, eu não tenho que aplicar a lei da reciprocidade. Eu tenho que ser mais paciente. Mas é importante você saber que se não há acordo, nós vamos ter que aplicar a lei da reciprocidade”, disse o presidente.

As conversas entre os governos foram retomadas após uma conversa entre Lula e Trump. A primeira reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ocorreu há cerca de três semanas.

Apesar da retomada do diálogo, o governo brasileiro não espera avanços relevantes nas negociações pelo menos até depois das eleições. Lula também descartou a possibilidade de o Brasil entrar em uma guerra tarifária com os Estados Unidos.

“Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e acredito em negociações”, afirmou.

Lula, Trump e as eleições 2026

Ainda na entrevista à CNN, Lula afirmou que Donald Trump teria dito a interlocutores que não pretende interferir nas eleições brasileiras, mas que o Brasil já identificou “alguns indícios de interferência” por meio do uso de inteligência artificial.

“Não quero que os EUA tenham qualquer tipo de interferência. Há alguns indícios de interferência, de uso de inteligência artificial”, declarou Lula. Segundo o presidente, porém, não havia elementos concretos que comprovem uma interferência dos Estados Unidos naquele momento.

O presidente brasileiro afirmou que considera positiva uma eventual postura de não interferência por parte dos Estados Unidos e defendeu que o processo eleitoral seja tratado como uma questão interna do Brasil.

Lula também levou para a entrevista o discurso utilizado em sua campanha à reeleição, ao afirmar que a disputa de 2026 envolve uma escolha entre “democracia ou barbárie”.

“A verdade é que o que está em jogo hoje no Brasil não é uma escolha entre pessoas ou partidos. O que está em jogo hoje é uma escolha entre ter democracia ou barbárie. Ou temos uma política de preservação da natureza ou o desmatamento; uma política de inclusão social ou o abandono dos pobres; o fortalecimento da cultura ou o fim da cultura. É isso que está em jogo agora”, disse.

Ao ser questionado sobre a disputa eleitoral, o presidente afirmou ter confiança de que vencerá as eleições, mas disse estar preocupado com o processo.

Discurso na ONU

Durante o discurso na ONU nesta terça-feira, Lula voltou a criticar o unilateralismo e defendeu que os países tenham autonomia para tomar decisões de acordo com seus próprios interesses.

O presidente também criticou o “tarifaço” promovido pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil seguirá buscando novos parceiros comerciais. A defesa da soberania apareceu ainda em temas relacionados à economia e à tecnologia.

Lula citou o Pix e afirmou que o sistema representa uma infraestrutura pública brasileira, além de defender que o país tenha maior controle sobre recursos considerados estratégicos, como minerais críticos e terras raras.

O presidente também afirmou que o Brasil não é “quintal de ninguém”, em uma das principais mensagens de seu discurso na Assembleia Geral.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, afirmou ele, ao defender maior integração entre os países da região.

“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades”, completou.

A fala na ONU ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcado pelas negociações sobre as tarifas comerciais, pela discussão sobre soberania e pelas preocupações manifestadas por Lula sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

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