Com as incertezas provocadas pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela disparada do petróleo Brent, o mercado passou a revisar novamente as projeções para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano (a.a.).
Diante do novo cenário internacional, investidores passaram a apostar em um corte menor de 0,25 ponto percentual (p.p.), reduzindo as expectativas anteriores de queda de 0,50 p.p..
Na quinta-feira (12), o mercado de “opções do Copom” apontava 51% de probabilidade para um corte mais moderado na Selic por parte do Banco Central do Brasil (BC) na reunião marcada para próxima quarta-feira, 18 de março.
Além disso, essa foi a primeira mudança relevante nas expectativas desde a sinalização de início do ciclo de afrouxamento monetário. No dia 11 de março, por exemplo, a redução de 0,50 p.p. ainda representava 56,90% das projeções do mercado.

Impacto do petróleo para Selic
No cenário internacional, as pressões inflacionárias associadas ao conflito envolvendo o Irã e à forte alta do petróleo passaram a dominar o humor dos mercados.
A deterioração das tensões no Oriente Médio, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, aumentou as preocupações com o abastecimento global de energia e pressionou as projeções para o preço do petróleo.
Atualmente, o Brent com vencimento em maio opera acima de US$ 100 por barril. Dessa forma, a cautela do Banco Central tende a aumentar, já que a alta do petróleo impacta diretamente a inflação em duas frentes principais.
Primeiro, nos combustíveis, já que a Petrobras (PETR4), por meio de sua política de preços, tende a repassar parte das variações internacionais para diesel e gasolina. Com isso, o aumento do diesel encarece o transporte de cargas em todo o país.
Como o Brasil depende majoritariamente do transporte rodoviário, o impacto acaba se espalhando rapidamente pela economia, pressionando os preços de alimentos e produtos industrializados.
Expectativa de corte de juros nos EUA
No exterior, os principais índices de Wall Street também refletiram o aumento das incertezas. No fechamento da sessão desta quinta-feira, o Dow Jones encerrou em baixa de 1,56%, aos 46.677,85 pontos. Enquanto o Nasdaq caiu 1,78% (22.311,97 pontos) e o S&P 500, 1,52% (6.672,62 pontos).
Com base nesse desempenho, investidores norte-americanos passaram a projetar dezembro como o mês mais provável para o início de um novo ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos, conduzido pelo Federal Reserve (Fed).
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