Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o preço do petróleo disparou nesta segunda-feira (02), com alta próxima de 10% ao longo da sessão.
Em meio à escalada da tensão no Oriente Médio, o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% da rota comercial marítima global de petróleo e gás natural, foi fechado, ampliando a percepção de risco no mercado.
No mercado internacional, o petróleo negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) registrou forte valorização. O WTI para abril encerrou com alta de 6,28%, cotado a US$ 71,23 por barril. Já o Brent para maio, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), avançou 6,68%, a US$ 77,74 por barril.
Durante a sessão, o Brent chegou a superar US$ 82 por barril, atingindo o maior nível desde janeiro de 2025.

EUA e Israel x Irã
A segunda-feira marcou o terceiro dia consecutivo de confrontos. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, não há prazo definido para o encerramento do conflito.
No período, houve o envio de tropas americanas à região, enquanto o Irã revidou os ataques e voltou a bombardear o território de Israel e bases americanas em países do Oriente Médio.
Para Andressa Durão, economista da ASA Investments, a interrupção do transporte no Estreito de Ormuz, principal ponto de atenção dos investidores, parece ter sido significativa, acendendo um alerta relevante para os mercados globais.
Preço do petróleo e incertezas
O Citi avalia que o preço do petróleo pode avançar para a faixa de US$ 80 a US$ 85 por barril, impulsionado pelos ataques e pelas hostilidades regionais subsequentes.
Embora choques geopolíticos históricos tenham tido duração limitada, o banco destaca que o cenário atual, incluindo possíveis fechamentos prolongados do Estreito de Ormuz e a resiliência do regime iraniano, adiciona incerteza adicional às projeções.
“Acreditamos que o próprio petróleo é o instrumento de hedge mais confiável para clientes preocupados com interrupções prolongadas no fornecimento”, afirmaram os especialistas.
Já o Goldman Sachs estima que o aumento recente representa um prêmio de risco de US$ 18 por barril nos preços do petróleo bruto, valor equivalente ao impacto projetado de uma paralisação total de seis semanas nos fluxos pelo Estreito de Ormuz.
“Estimamos os riscos altistas decorrentes dos desdobramentos no Oriente Médio. Por ora, nossas projeções base para os preços de energia, que assumem ausência de interrupções sustentadas na oferta, permanecem inalteradas”, disseram.
O Goldman também destaca que o atual patamar de preços desencadeou fortes reações na demanda por gás natural durante a crise energética europeia de 2022, avaliando, neste momento, risco limitado de alta adicional para o gás natural nos EUA.
Além do petróleo, o diesel chegou a subir até 20% e o gás natural até 40% na Europa, enquanto nos Estados Unidos as respectivas altas foram de 14% e 4%.
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