Em entrevista ao jornal O Globo, concedida nesta sexta-feira (20), a diretora de Exploração e Produção da Petrobras (PETR4), Sylvia Anjos, afirmou que a estatal avalia oportunidades de investimento na Venezuela, embora não acredite em um aumento relevante da produção do país no curto prazo.
Em paralelo, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva declarou, na terça-feira (17), que pretende tratar do tema com o líder norte-americano Donald Trump, em reunião prevista para março, em Washington.
Após as declarações, as ações da companhia reagiram positivamente. Por volta das 17h40 (horário de Brasília), os papéis PETR4 subiam 0,21%, negociados a R$ 37,89.
Expansão para Venezuela
A possibilidade de troca de dívidas acumuladas pelo regime chavista com o Brasil por ativos petrolíferos na Venezuela está entre as alternativas analisadas pelo governo brasileiro. A proposta envolveria o retorno da Petrobras às atividades de exploração e produção no país vizinho.
O presidente Lula, busca o consentimento de Trump para retomada dessas operações, especialmente após a recente captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Para Sylvia Anjos, apesar de a Venezuela apresentar um “potencial grande”, o ambiente de negócios envolve riscos elevados, sobretudo no campo ambiental e regulatório. A executiva citou como exemplo a produção no Lago de Maracaibo, região marcada por episódios recorrentes de poluição por petróleo.
Segundo ela, fatores dessa natureza podem comprometer as credenciais ambientais da Petrobras, tema sensível para a estatal e para investidores atentos a critérios ESG.
Petrobras busca ampliação geográfica
Ainda de acordo com Anjos, mesmo que a produção venezuelana não avance de forma significativa nos próximos anos, isso não representa ameaça aos negócios atuais da Petrobras. Ademais, a companhia segue focada na diversificação geográfica de suas operações.
Em entrevista concedida em 2025 à Reuters, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a África deve se tornar a principal região de exploração da empresa fora do Brasil.
Além disso, a estratégia inclui países como Gana, Costa do Marfim e Namibia, onde a Petrobras assinou recentemente um acordo para aquisição de licença exploratória.
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