As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) despencavam mais de 14% nesta terça-feira (03), diante do aumento do risco de uma eventual reestruturação financeira da varejista. Por volta das 16h36 (horário de Brasília), os papéis recuavam 14,29%, cotados a R$ 2,70.
A pressão vendedora também foi intensificada após o rebaixamento da nota de crédito da companhia pela Fitch Ratings, que reduziu a classificação de “A” para “CCC”, elevando a percepção de risco no mercado.
Segundo a agência, a decisão reflete os crescentes riscos de refinanciamento, considerando que a companhia possui R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento até julho. O relatório destaca o enfraquecimento da liquidez e a expectativa de que o fluxo de caixa livre (FCF) permaneça negativo no médio prazo.
Além disso, em meio à curva de juros futuros elevada, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, ações de empresas ligadas ao consumo doméstico, como o GPA, têm apresentado desempenho mais pressionado.

Bloqueio dos papéis PCAR3
Nesta terça-feira, a pedido incidental de tutela cautelar do GPA, houve também o bloqueio das ações PCAR3 pertencentes ao acionista Casino Guichard-Perrachon, bem como de eventuais valores obtidos com a venda desses papéis.
A medida está relacionada ao processo de arbitragem aberto em 6 de maio de 2025, cujo objetivo é preservar direitos em ações que discutem diferenças no recolhimento de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) referentes aos anos de 2007 e 2013, em razão de alegada dedução indevida de amortizações de ágio.
O caso reacende preocupações quanto às contingências fiscais e aos possíveis impactos financeiros adicionais para a companhia.
Reestruturação do GPA
Com R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo ainda este ano, o GPA possui atualmente mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa.
Em maio, vencem R$ 511 milhões da 18ª emissão. Já em julho, outros R$ 889 milhões da 20ª emissão, totalizando R$ 1,4 bilhão a serem pagos nos próximos cinco meses.
Além disso, há cerca de R$ 254 milhões da 20ª emissão com vencimentos entre 2026 e 2027, bem como um empréstimo de aproximadamente R$ 508 milhões, parte também no curto prazo.
No total, o endividamento bruto soma cerca de R$ 4 bilhões, superando o valor de mercado da companhia, atualmente próximo de R$ 1,5 bilhão. Esse descasamento amplia a dependência de geração futura de resultados, o que adiciona incerteza diante do histórico recente de prejuízos.
De acordo com o balanço, a companhia ainda possui R$ 16 bilhões em contingências tributárias classificadas como perdas possíveis, que não estão provisionadas, além de aproximadamente R$ 1 bilhão já provisionado como perda provável.
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