O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 surpreendeu o mercado financeiro e provocou uma forte reação no Ibovespa nesta segunda-feira (5). Na véspera (4), o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio recebeu 47,14% dos votos válidos, contra 45,03% de Lula, abrindo uma diferença de pouco mais de dois pontos percentuais (p.p.).
Dessa forma, investidores e analistas apontam que o resultado aumentou a percepção de competitividade do candidato do PL no segundo turno e elevou as expectativas em relação a uma possível mudança na condução da política econômica do Brasil.
Diante desse cenário, o fundo de índice (ETF) EWZ, também conhecido como Ibovespa em dólar, chegou a subir 8,72% na noite de domingo (4), após a divulgação do resultado. Já o Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos durante os negócios desta segunda-feira, com alta de 9,10% na máxima.

Investidores analisam cenário
Para a maior parte dos investidores consultados pela Reuters, o resultado do primeiro turno é positivo para os ativos brasileiros, especialmente diante da possibilidade de uma alternância de governo.
A gerente de carteira da Vontobel, Thierry Larose, afirmou que a expectativa é de uma forte alta nos ativos brasileiros, mas ponderou que será necessário avaliar se um eventual governo de Flávio apresentaria uma postura fiscal mais responsável.
Em linha, o gerente de carteira de dívida de mercados emergentes da Aberdeen, Viktor Szabo, classificou o resultado como positivo e citou expectativas de alta de 7% a 8% para o mercado acionário.
Por outro lado, outros gestores adotaram uma postura mais cautelosa. Jeff Grills, da Aegon Asset Management, destacou que ainda é difícil tirar conclusões definitivas a partir do primeiro turno, enquanto Gustavo Medeiros, do Ashmore Group, ressaltou que a disputa de 25 de outubro ainda não está definida.
Para Thomas Haugaard, da Janus Henderson Investors, a reação inicial é favorável aos ativos brasileiros porque o mercado passou a enxergar maior possibilidade de consolidação fiscal e reformas estruturais.
Ibovespa em dólar dispara
Com o avanço do Ibovespa em dólar neste domingo, o economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, destacou que o resultado das urnas surpreendeu em relação às pesquisas e pode representar uma mudança relevante na percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil.
Segundo o economista, a possibilidade de alternância de poder é bem avaliada pelo investidor estrangeiro. Ele também destacou a composição do Senado e a possibilidade de maior alinhamento entre o Congresso e um eventual governo de Flávio Bolsonaro como fatores que poderiam facilitar a aprovação de determinadas propostas.
No curto prazo, Saadia avalia que o Ibovespa pode alcançar os 200 mil pontos, mas ressalta que a continuidade da valorização dependerá principalmente das novas pesquisas eleitorais e da evolução da disputa pelo segundo turno.
Mercado aguarda fim das eleições
Apesar da forte alta registrada após o primeiro turno, os analistas destacam que o movimento não representa necessariamente uma tendência definitiva para a Bolsa brasileira (B3).
O resultado de 4 de outubro alterou as expectativas do mercado, mas a disputa ainda terá um segundo turno em 25 de outubro. Assim, novas pesquisas, declarações dos candidatos e, principalmente, a apresentação de propostas para a economia devem continuar influenciando o comportamento dos ativos.
A própria reação dos investidores mostra que a eleição passou a ser um dos principais fatores de precificação do Ibovespa, do dólar e da curva de juros.
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