Após desistir de participar do debate da Rede Globo nesta quinta-feira (1º), que foi posteriormente cancelado, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) decidiu realizar uma transmissão em suas redes sociais para pedir voto útil em si mesmo, numa tentativa de fechar a eleição no primeiro turno.
“Se você estava pensando em não votar, compareça e vá votar no domingo. Se você está pensando em votar em algum outro candidato, que são meus concorrentes contra o Lula, a única candidatura que pode superar o Lula é a do Flávio Bolsonaro. Me dê o seu voto de revolta, me dê o seu voto inteligente já no primeiro turno”, declarou o candidato.
Flávio Bolsonaro também criticou o que chamou de “censura” e “interferência do Judiciário”, ao afirmar que “Lula não só não vai ao debate como usa seus amigos do Judiciário para impor censura no debate da Rede Globo”. O candidato também explorou o sentimento de indignação para apelar pelo “voto de revolta” contra o Judiciário.

Aliados de Flávio Bolsonaro
A transmissão e as declarações de Flávio Bolsonaro contaram com o apoio de seus aliados, incluindo Nikolas Ferreira (PL-MG), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Gustavo Gayer (PL-GO) e o coach Pablo Marçal, que participaram da live.
Nikolas afirmou que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) utilizada como argumento para a desistência, de proibir a emissora de mostrar a cadeira de Lula vazia, vai beneficiar o bolsonarista.
“Acabaram de eleger Flávio. Se não é censura, eles não ganham. Se não é no tapetão, eles não ganham. Se o Flávio já ia ganhar antes dessa interferência da Justiça, agora vai ganhar a rodo”, declarou Ferreira.
Já Marçal aproveitou para pregar voto útil em Flávio no primeiro turno e se dirigiu aos principais candidatos da disputa.
“Eu tenho amizade com o Cury. Preciso falar: o Cury tem de vir em outras eleições, tem de ter paciência. Existe um inimigo maior. O Caiado poderia ser o melhor ministro da Segurança Pública da história, está em tempo ainda. Zema, por favor, você já viu que não tracionou, vem caminhar com a gente”, declarou Marçal.
Augusto Cury reclama de “voto útil”
Nesta sexta-feira (2), por outro lado, Augusto Cury (Avante) disse que é uma “ditadura” o pedido de voto útil feito por outros candidatos à Presidência.
“É uma vergonha, até uma ditadura, o que alguns candidatos estão fazendo pedindo voto útil. O voto útil é tolher, asfixiar o direito de cada cidadão no dia 4 de outubro decidir em quem vai votar”, destacou.
“Estou tão decepcionado com as instituições brasileiras que, por alguns momentos, chamei alguns advogados para fazer até um mandado de segurança para adiar essas eleições por mais uma semana. Não pedi ainda, mas nós estamos elaborando esse mandato e não sei se o faremos”, disse o candidato em manifestação a cerca de 30 apoiadores em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em relação a um possível segundo turno, Cury informou que não apoiará nenhum candidato.
“É uma vergonha Flávio Bolsonaro ter fugido do debate da Globo, é uma vergonha Lula da Silva ter fugido. Augusto Cury não foge porque eu não dependo do poder. Ele sem o poder não sobrevive”, afirmou.
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