O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou o atual presidente e candidato à reeleição do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à revista francesa Le Point, Milei declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República e chamou Lula de “ladrão”.
Em relação ao comércio com o Brasil, Milei afirmou que as duas áreas devem ser tratadas separadamente. Segundo o presidente argentino, o comércio é uma relação entre agentes privados e, por isso, suas divergências com o presidente brasileiro não deveriam impedir empresas dos dois países de fazer negócios.
No entanto, o presidente argentino voltou a apresentar acusações contra Lula. Milei afirmou que o presidente brasileiro teria deixado a prisão por causa de uma decisão “administrativa” e também o acusou de ter enviado uma equipe de brasileiros à Argentina durante sua campanha presidencial.
“Lula enviou a Buenos Aires uma equipe de trinta brasileiros, psicólogos e comunicadores, para organizar uma campanha negativa contra mim. Quando quis visitar meu amigo Jair Bolsonaro, aquele juiz corrupto, amigo de Lula, não permitiu”, disse Milei.
As acusações feitas por Milei foram apresentadas por ele durante a entrevista e não foram acompanhadas, nas reportagens consultadas, de evidências que as comprovassem.

Milei e Lula
Durante a entrevista, Milei afirmou esperar uma mudança política no Brasil e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. “Tenho muita esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro”, afirmou.
Além disso, o presidente argentino disse esperar que uma eventual vitória do senador resulte, na avaliação dele, em um processo de “saneamento liberal” no país.
Em outra publicação, a revista Le Point descreveu a relação entre Milei e Lula como uma disputa que passou a representar uma crise aberta entre os dois governos.
A publicação afirmou que a relação entre os dois presidentes se deteriorou e que o conflito pode afetar os laços econômicos e estratégicos entre Argentina e Brasil.
Venda de terras argentinas
As declarações ocorrem em meio a outra questão que provocou resistência pública na Argentina, a possibilidade de venda de terras rurais para estrangeiros.
Na terça-feira (29), a Suprema Corte da Argentina rejeitou uma ação contra o decreto de Milei que havia revogado as restrições previstas na Lei de Terras. A decisão, na prática, deixou novamente em vigor a alteração promovida pelo governo argentino.
A Lei de Terras, aprovada em 2011, estabelecia que estrangeiros não poderiam possuir mais de 15% das terras rurais do país, além de prever limites em nível provincial e municipal. O presidente Javier Milei revogou a legislação por meio do DNU 70/2023, em dezembro de 2023.
Em março de 2024, porém, um tribunal bloqueou a aplicação da medida após uma ação judicial movida pelo Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas (CECIM). Agora, a Suprema Corte rejeitou a ação por considerar que a organização não tinha legitimidade para apresentá-la.
A decisão não analisou diretamente a constitucionalidade da revogação da Lei de Terras. No entanto, ao derrubar a ação que havia suspendido a medida, a decisão permite, na prática, a aplicação das alterações promovidas pelo decreto de Milei.
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