O jornal britânico The Guardian informou nesta quarta-feira (30) que o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, destinou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,18 milhões na cotação atual, a um projeto que se opõe à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.
De acordo com o Guardian, o Departamento de Estado, responsável por conduzir a política externa e gerir as relações internacionais dos EUA, destinou US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF, na sigla em inglês) para 43 iniciativas de direita e conservadoras em vários países, incluindo o Brasil.
O veículo informa que a verba destinada ao Brasil, de US$ 1 milhão, é vinculada ao projeto chamado “Combate ao lawfare e à censura no Brasil” (“Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, no documento em inglês), com foco em grupos da sociedade civil que se opõem ao que classificam como abuso de poder judicial e censura por parte do STF.
Além disso, o Guardian informou que a maior verba, no valor de US$ 40 milhões, foi destinada a um consórcio liderado pela Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo (VOC, na sigla em inglês), organização sem fins lucrativos sediada em Washington.

Estados Unidos e STF
Essa não é a primeira medida dos Estados Unidos envolvendo o STF. Em julho de 2025, o país norte-americano sancionou o ministro brasileiro Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky, como punição por supervisionar o julgamento que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
O financiamento aos grupos no Brasil ocorre enquanto o governo do presidente Lula manifesta preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
O presidente brasileiro afirmou estar “muito preocupado” com uma possível interferência de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, nas eleições do Brasil.
“Já há indícios de interferência de inteligência artificial; eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita. Mas se também se meter…”, comentou Lula em entrevista à CNN.
Ao ser procurado pelo The Guardian, o Departamento de Estado não comentou os financiamentos individuais. Segundo o jornal, a pasta afirmou que os programas ainda estavam em “análise ativa”.
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